Boate Querosene, o cárcere clandestino do DOI – CODI em Itapevi

Boate Querosene foi palco de torturas e mortes pelo DOI na década de 70 pela ditadura militar.

Em 1974, depois que a Casa da Morte de Petrópolis (RJ) foi fechada, os militares passaram a usar outros dois centros em São Paulo. Um deles, a Boate, funcionava em uma casa em Itapevi, na região metropolitana. O apelido vinha do fato de o local ter abrigado a Boate Querosene.

Palco de execuções e operações secretas, apenas dois prisioneiros sairam vivos sem que fossem transformados em informantes. Neste local se costumava, segundo agentes do DOI – CODI (Destacamento de Operações Internas – Centro de Operações de Defesa Interna), matar presos com injeção letal.

O ex-sargento Marival Dias Chaves do Canto trabalhou no DOI-Codi e no Centro de Informações do Exército (CIE). Deixou as Forças Armadas em 1985, no início da redemocratização do Brasil, para se aposentar.
Foi assim o que ocorreu com o integrante do Comitê Central do PCB Hiram de Lima Pereira. Ele foi preso pela Seção de Investigação em janeiro de 1975, na zona norte de São Paulo. As ações do DOI seriam determinantes para a morte de 79 pessoas.

Na Boate Querosene foram torturados e mortos mais cinco integrantes do Comitê Comunista Brasileiro (PCB). A exemplo de Petrópolis, os corpos foram retalhados, amarrados em blocos de cimento e jogados em um rio, na regiao de Avaré.

As informações sobre a Boate foram reveladas pelo ex-sargento Marival Chaves, que trabalhou no DOI, e confirmadas por outros dois agentes.

Sangue. “Vi muito sangue da esquerda correr”, disse o ex-sargento, que fazia relatórios com o conteúdo dos interrogatórios dos presos mantidos clandestinamente em Itapevi. Foi ali que os militares conseguiram um de seus maiores trunfos contra o PCB: transformar um militante no agente infiltrado Vinícius, que atuou entre 1974 e 1982.

As informações acima foram apresentadas pelo Relatório da Comissão Nacional da Verdade, em 7 de abril de 2014, em São Paulo.

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